13 de agosto de 2018

O sequestro (parte 1)

Apenas escrever, me deram essa tarefa. Quinze dias nesse subsolo, trancado e com correntes nos pés. E eles querem que eu escreva. Escreve sobre o que? Mal lembro de tudo o que via lá fora. Lembro num geral, mas meus textos são feitos de detalhes. Uma vez perguntei se poderia escrever sobre o sequestro. Por medo de eu detalhar local, barbas e olhos, cortaram minhas asas. Mas asas para que? O sol não vive faz quinze malditos dias. Ou quinze malditas noites. Nao, aqui não há essa separação. É um purgatório, por onde estão sendo julgados os atos dessas pessoas que aqui me detiveram. 
Me alimentam bem. Disso não posso reclamar. São rígidos nos horários tanto de entrega quanto da retirada dos objetos. Em quinze dias, ainda não trocamos uma palavra. Tudo o que quero dirigir a eles, tem de ser por meio impresso. Eles me deixaram essa máquina de escrever aqui e, sempre que me veem ou quando eu demonstro que desejo falar-lhes algo, apenas dizem: escreve.

Décimo sétimo dia
Hoje eles começaram a ler meus primeiros rascunhos. Olhavam atentamente e sublinhavam algumas coisas nas folhas, mas não me mostravam o que. Pediram-me para reescrever os originais, sem ao menos vê-los. Eu teria cinco dias.

Vigésimo dia
Hoje uma integrante, pela primeira vez, falou comigo. Ela tinha uma voz calma. Seu objetivo era acalmar-me, mas nada disso me assustava. Obviamente não desejo passar mais um segundo aqui, mas nada disso me causa medo.
- Você precisa escrever. Essa é a chave para sair daqui.
- Mas o que vocês querem que eu escreva? Não seria mais fácil me dizer?
Ela apenas me olhou, levantou uma parte da máscara, sorriu e partiu, perguntando: “Todos os gênios são mesmo loucos”?
Aquilo me enfureceu por duas horas. Hm, eles haviam me dado um relógio na manhã desse dia. Minha fúria durou exatamente duas horas. Não escrevi mais nesse dia. Ou eles ofendiam meu talento ou se julgavam geniais por essa ideia imbecil de trancar um escritor num quarto abafado. Fui dormir.

Vigésimo nono dia
Hoje eles disseram que chegaria uma pessoa nova aqui e pediram para eu voltar a me barbear. Desde o dia 22 eu decidi parar. Para quê barbear? Nada daqui faz sentido. Já estou aqui há um mês e nada acontece...

Trigésimo dia
Ela está deitada desde que chegou. Não levanta e nem se mexe. Já fazem três hor....

Trigésimo primeiro dia

Eles ontem quase me pegaram escrevendo esse diário. Entraram e construíram uma espécie de aquário, uma divisória de vidro que ficou entre nós.  Podemos nos olhar, mas não nos ouvir ou tocar.

27 de julho de 2018

Meus rascunhos incompletos desde 2011

Sangue derramado e facas que valsando a morte se confundiram em sangue o status quo chama de "vida".
Quando corre dentro, transmite vida. Por fora, pragas. Teu sangue impuro, mente inconstante, diálogo limitado.

Injetar cianeto numa maçã e comer, meu suicídio vai ser o primeiro e meu último pecado


Te machucar não estava nos meus planos
Falei que foi um erro, mas não se engana por três anos
Falei que estava junto, mas estava tão distante
Falei que era maior com vc, te colocava numa estante
Única coisa que crescia pela minha distância era a sombra, essa era gigante
Problemáticos, vc Kim eu Eminem
Coringa abusando da arlequina mas tu me tratando igual superman
Será que há vacina pra controlar esses meus impulsos
Meu amor tão obsoleto, pagamento em pulsos
Tanta luz ao me ver que seus olhos até brilhavam
Mas por vezes foi para outras que os meus piscavam

Meus olhos seguindo seus passos, cada um narrado pelo batimento
Olhos conta gota, olhos marca passo

Vc enxerga os pequenos fachos de luz que jogo pra cima de vc com essa minha lucidez pisca-pisca?

Cansado. Tenho duas folhas. Numa, consigo ler tudo. A caligrafia é linda! E parece que a luz encaixa melhor em seus contornos.
Noutra, apenas garranchos. O descaso faz eles amassarem a folha. Eu amasso e esqueço o valor do caderno, pois naquele momento, sei que o caderno não tem valor. Valor em algo incompleto. Não há remendo, esquece.
E foda-se, tô mal. Num dia tô no topo do mundo. Noutro, não entendo o caminho. Pra que subir? Pq mereço o sol! Pra que subir? Hoje não faz sol.



Suba... Suba... Suba... Suba... Emerja... Emerja... Emerja... Emerja... Do fundo... Do fundo... Do fundo... Do fundo... De si!
Mas para se emergir é necessária profundidade. Para se conhecer a profundidade, é necessária uma imersão.
Desejos... Desejos... Desejos... Critérios... Critérios... Critérios... Valores... Valores... Valores...
É a chave que se procura, mas que por descuido, não se busca no lugar mais óbvio. É medo. Mas de quê? Da busca? Ou do achado?
Escuro... Escuro... Obscuro... Obscuro... Solidão... Solidão...
Estou vendo. Sim, Estou vendo! Meu maio empecilho. A maior pedra em meu caminho. Ao mesmo tempo, pode ser o caminho em si.
 Meu maior construtor em comunhão com meu maior sabotador. Há uma dualidade.
Tudo... Nada... Existência...


Boa tarde. Meu nome é Augusto, estou nos meus 45, SOU empresário.
Meu nome é Ernesto, tenho 36 anos, SOU fazendeiro.
Oi. Eu sou Márcia,  tenho 25 anos, SOU diarista.

Faleceu hoje um empresário do ramo de bebidas, vítima de um assalto. Foi enterrado, numa cerimônia com algumas pessoas.
Morreu hoje em Campinas, o fazendeiro Ernesto, de 36 anos.
Morreu uma diarista.

Eles morrerão de novo. Este foi só o primeiro enterro. O enterro de suas próprias identidades.


Quando vc chegou, asa quebrada, te acolhi, te agarrei
Que a vida pode, ser engraçada, eu te mostrei, eu te ensinei
E era bom, como todo o começo, em seu braço terno me arremessar
Mas do ferimento, não quiseste tirar o gesso,

É um copo d'água seco. Nele há uma goteira, mas uma goteira não de água, mas de uma palpitação que fornece o bastante para aquele copo se sentir ainda útil, ainda vivo.
Copos não tem vida? Copos, água, goteiras... Um texto feito apenas de coisas mortas, mas que juntas formam um ciclo capaz de simular vida.
Eu sou o copo. E chega, já estou vazio...

If you gonna throw a rock, then you better be more good at roll
Cause at least i'll add some tricks, when you fuck with us again and you'll have to go
I said: If you gonna throw a rock, better to practice to be good at roll
Cause i need it for the next chick, hopefully not another hoe =]

My friends used to walk the walk
But girl i'm used to talk the talk
Yeah baby from this road i know the path
Be together with a whore, you do the math

But giiiirl let's don't bother, baby let's just chill
I'd open the window, if i didn't know just the way you feels
30 degrees outside, i'm sweating but somehow you wear a jacket
Have a number of bitcoins, i don't know why, cause you are a packet (bitchcunt?e it don't work as it's plural? key..)


Na torre de seu seu pensamento, ela tinha toda a liberdade do mundo. Ninguém podia a repreender naquele local que era intimamente seu. Ela dispunha de tudo o que necessitava para se sentir feliz.
Haviam ideologias
Havia filosofia
Havia poesia,
Havia vontade de mudanças
Havia desconfiança sobre preceitos
Havia uma construção própria de morais e conceitos
Não havia um herói, muito menos um vilão
Havia um pensamento que abrangia mais que o raso,
Mas então havia um ruído externo á torre. Estímulos externos de todas as formas.
Eram pessoas. De todos os tamanhos, cores, línguas estrangeiras e com os sorrisos mais belos que ela ja havia visto em toda sua vida nos livros de sua casa. Ela então começou a se perguntar o que realmente os tornava felizes. Eles pareciam ter algo que eles não possuíam. Mas o que era aquilo?
Ela se sentiu sozinha, tendo construído uma torre com tanta variedade, mas não tendo com quem a dividir, não os interessava. Ela era feliz, mas a solidão a corroía por dentro.
E então, para adaptar-se, ela trancou os portões da torre, e juntou-se a multidão, na tentativa de se tornar um deles, repartir de sua felicidade.
E então haviam carros, havia novela, havia futebol..

Chega a hora em que percebemos que pensar em um só não é mais o bastante.
Nada, é o que temos agora. As melhores coisas surgem daí, do nada. Como uma invenção, como esse texto, ou como nós. O ceder, o vazio, libera espaço para realocarmos certas coisas. Mas há lugares que foram feitos sob medida para outras.
E partiu, procurando por aí encontrar um amor. Mas ele já não podia mais encontrar o que ele já tinha, mas não possuía.
Não era ganancia, e sim fraqueza. Quando você corta a raiz de uma flor, sem o alimento que a fortalece, ela morre de tristeza. Foste minha alegria antes de foice perversa ceifar-nos. Hoje, és meu dilema à meia noite.


Dou cada passo,
sem um compasso
Então meu passo é, morto
Te vejo rindo
Olho sorrindo
Mas meu sorriso é torto

Que nossos dias tristes afundaram na felicidade
Mas agora só ouço o som desta cidade
Pois vivo teu silêncio
Os dias passam frios, vem e vão
Não dou explicação, ja saí
Sair um dia mais por aí
Fingir mais um dia que vivi
Sendo que o dia não começa quando você não está
E aí?


Oi, vou começar um texto confuso, desça três linhas
Você leu a errada, suba duas.
Talvez seja de quem esta ao seu lado, desça duas
Quero faze-lo entender a si mesmo, numa terapia que nunca entendi, suba uma
O que é de quem está ao seu lado? O problema. Tem alguém ai?


*Cantiga com 3 a 4 tempos para cada verso
Passa-tempo, e para em claro avança, o tempo mede na balança, tua ausência um dia vai pesar
Pega um pedaço do passado, quando tinha ao teu lado, marinheiro, bora navegar
Temo e tremo se penso que não tenha um remo, sendo que não estou vendo, tu sofrendo, querendo boiar
Soltei tua mão mas me importo, pelo sentido não denoto, mas das dores, é sua a pior de suportar
Surge denso, pensamento a esmo, mesmo lembrando endereço não sei por onde mais te procurar
Olhando para baixo ou para cima, só vejo o rosto da menina, que a rima agora fez lembrar

Cansado de vc se dizendo de melhor amiguinha quando sabe que se eu desse um passo pra longe vc não iria se dar ao trabalho nem de olhar pra onde fui..
Não me julgo amigo de ninguém, mas sei que quando alguém próximo precisa, serei o primeiro a ajudar.. Sem requerer título algum..
Tirando o afeto que tinhamos sabe oq sobrou? Algo superficial.. você..
I'm gone..

Aquele, junto com o da solidão, sabe? Aquela que você me apresentou?
Então, decidi que a loucura calharia bem se tornando um abrigo.
A loucura, tão somente ela parece me salvar deste mundo. Com ela ganharei um novo amigo, uma parte escura de mim mesmo.
Para que?
Escorriam nos posts antigos, mas a partir desse não haverão mais lágrimas para este palhaço. Os bons sentimentos se foram, pressinto um afluente de dores e compaixões indo embora. Talvez, a onda engula alguém pelo caminho.


A chuva me traz essa saudade de você.
Sinto saudades daquelas noites em que eu chegava cansado do trabalho, que eu nem gostava, e conseguia passar horas e horas só abraçado, e mesmo assim pareciam apenas minutos.
Sinto saudades de quando este era o único motivo que fazia eu levantar da cama todas as manhãs..
Sinto saudades de quando todas as lágrimas que escorriam pelo meu rosto eram só de ciúmes de você, ou da dor de lhe ver partir. Mas agora, agora é como se a cada momento vc partisse, para um lugar que não sei onde fica, não sei quando você volta, não sei se vão lhe tratar bem..
Sinto saudades de permitir que meu coração sinta saudades de você.. De poder matar essa saudade com carinho estando junto abraçado sem pensar em ser mais ninguém.. Apenas eu


O ventilador gira. Direto, sem pensar no quanto me ajuda. Ele nem esquenta de estar esquentando pra me refrescar.
Aperta botão, roda a lâmina.Será que ele gira no sentido horário? Quantas peças tem dentro dele? Quanta mão de obra? Quanto do planeta foi retirado para que eu, para meu conforto, não devolvesse uma gota, pelo suor, da água que dele tomei? Ele tem força. Pois é uma máquina! Um objeto! Lembro dele quando me é necessário. Quando ele consegue me relaxar. Queimou? Jogo fora! Sempre há um modelo melhor. As vezes falo alguma coisa para ele. Sabe quando vc fala com ele ligado e sua voz distorce? Eu falo apenas para ouvir minhas próprias ideias.
As vezes o ligo no quarto para espantar os mosquitos azucrinando meus ouvidos. É tipo um sistema antimíssil, sabe?


Apenas venha comigo dançar
Acho que podemos mais uma dança por enquanto esperar
E enquanto estivermos naquele salão a talvez nos beijar
Podemos sentir, podemos gostar, podemos a felicidade alcançar
E então poderemos dizer um ao outro ao invés de apenas pensar
Dizer ou explicar naquele momento o que é amar
Por horas e horas sobre isso conversar
E então irei lhe dizer minha definição do que é amor: te abraçar
Você sim é o amor, a quem eu posso me dar
Alguém que vale a vida, a vc sim eu iria a confiar, a ti, e só a ti, a entregar
E talvez em outro plano iria sozinho caminhar
Mas sempre com vc em minha mente a andar
Pois vc desde já te garanto que é no que sempre estou a pensar
De vc naquela dança nunca pensei sequer em largar
E naquele momento percebo que a unica coisa que quero é na solidão te aguardar
Mas se em algum momento eu não puder te esperar, sofrerei e enquanto estiver a agonizar
Olharei para meu céu, e sei que te encontrarei la, vc é a estrela mais resplendorosa a brilhar



Nossa que sonho terrível tive hoje!Pela primeira vez começo a sentir realmente o frio da manhã ao acordar!Um sentimento triste me abate! Palavras vem e voltam como se procurassem algo, um alguém a quem pudessem ser ditas..Pedidos de desculpa, sentimentos de remorso, mas não apenas remorso, quero dizer arrependimento mesmo, são coisas que vem como certo em minha mente!Talvez eu tenha sido , tentando encontrar por fora a perfeição! Mas mal eu sabia que tudo aquilo não passava de vaidade, uma busca da perfeição em mim de forma egoísta para tentar me completar! Só agora vejo que a perfeição era algo que eu já havia alcançado, ela está em seres que se completam, uma pessoa especial feita para outra, mas pisei em falso e acabei vendo tal pedestal em ruínas..De repente me vejo caído sem ação por alguns segundos! Vejo um clarão, e o ecoar de uma voz! Tento ouvir pois penso ser a sua, tento reconhecer seu rosto.. Mas quanta tolice minha, você já não mais esta aqui..




22 de junho de 2018

Efeito Maria Joana

Maria Joana

Meu corpo nao compreende
Sociedade repreende, prende, teme. Entre sombras, orgasmos
Vc em minha mente, aah, quem sente, amará muito mais
Confidenciou à vida gostos, cores intensificou o perfume em teu rock suado
Usado, fumado, beck, baseado, lançando notícias de delírios vivos e transe no ar
Sua voz ecoa, mente, mente, tudo soa como riso hoje em tua voz
Definição de beleza, majestade, alteza e Teresa, ainda há roupas sujas no rio
Entregues a uma estrada célebre, yellow brick roads
O brilho dos meus olhos tão, tão verde, meu corpo, mundo, resistência que acabou
Complicados passos ao começar a dançar,
Primeiro passo a frente, nascimento, corpos cálidos, transpassar
Razão, evasão, divisão de tesão, uma mão lava outro corpo
Vira outro copo e o vinho me lembra seus beijos
E me tragava mais perto a cada tragada, trago só esse corpo, nosso menage, blunt com fffff, Maria Joana, xarás e um só amor
Dominada, dominante, Roma e gauleses, equilibrio de forças, equilibrio de beijos, equilibrio de
Equilíbrio de toques, só, tão só, equilíbrio na vida
Caminhando pelo meio dia enquanto as onze da noite me pisam.

Pisa, torta, vida.

15 de junho de 2018

B-storming

Sinta com cuidado o peso da minha mão
Ela bóia, mesmo tão pesada, assim como meus ombros
Dique de um mundo com correntesas de pensamentos correndo no mesmo lugar
Círculos de massa encefálica. Sinapses são flashes em minha mente
Cada pensamento transformado em palavra perde seu peso e ganha leveza, ganha os céus
Colore o meio dia e beija estrelas
Estrelas tão claras, dicotomia dos meus sonhos que com um toque turvam-se em despertar
Como água lamacenta. Afundei meu pé no lodo de minhas ambições e
Meu ego as mãos prendeu
Sorte que, por ser baixa minha auto-estima, ela conseguiu escapar sem ser vista
O que uma auto-estima tão baixa faria por si só?
Por dias, ela praguejou
E a cada auto-depreciação que ela infligia, começou a perceber algo
Ela começava a traçar melhor tudo o que ela era e, fermentando ideias sobre si
Começou a crescer e a se definir. Por estar só, aprendeu a relevar as opiniões que, em sua solidão, não recebia
Então ela retornou e se deparou com as ambições e o ego
Por mais bem alimentados que eles estivessem, estavam presos em seu lugar, definhando
O ego mal conseguiu reconhecer aquela que antes era tão menor que ele,
A ambição jurava que com a ajuda do ego, destruiria-a e manteria o status quo
Não houve tempo para uma batalha, pois com um toque da realidade, o ego explodiu, monstro/bolha de sabão que era
A ambição então sorriu para seu inimigo e o jurou lealdade. - Podemos conquistar o mundo!
A auto-estima riu. Riu, mas riu como nunca houvera antes.
A ambição não conseguia entender como a outra não compreendia as possibilidades
- Você será. Para sempre será. Sempre promessa de algo mais. Mas não pode aguardar a eternidade

   Já eu sou. Sou hoje, sou agora. Soul. E por isso sou eterno.

6 de junho de 2018

Preguiça

Minha preguiça de canto, calada
Linha noviça em espanto, parada
Sem movimento
Muito lamento se ouve lá fora
Se ouve lá fora?
Não!
.
Preguiça
.
Não quero te entender
Tenho uma cartilha, sigo a risca
Salvo a humanidade
Alvos da necessidade
Pessoas lucram com lacre
A Cura é Gay! Pó, purpurina
Vida ao cinza, olha a oração
Mira no peito as mãos - cruz é símbolo, não arma -
E vampiros amam ouro; estacas - chagas e carma
.
Preguiça
.
De me explicar, fazer entender
Vou nem cogitar, só pega pra ler
A arma verbal da ignorância é Google
O bug do milênio QI’s sugou
.
Preguiça
.
De lhe dar bom dia
De lidar com empatia
De procurar uma origem
Prédios me dão vertigem
É tudo PT, MST, LSD e então IML
Índios sem saber qual é sua pele
.
Preguiça
.
De me colocar em seu lugar
Só boca pra fora, tomo lugar de fala
Bancada e bala, soluções Wall Mart
Smartzombies nem me telefonem
.
Preguiça
.
De tudo que não seja eu
Eu sou Alfa, eu sou Ômega
Minhas palavras nasceram de mim
Pois eu nasci de mim
E tu nasceu de mim
Já Ele, apenas concepção que nunca me interessei
Não quero conceber um mundo cheio de vc
Ao mundo basta a multiplicação dos ecos em minha voz




1 de junho de 2018

Avareza

Amontoando dinheiro, somando contatos
Gaveta cheia de contratos, vazamento imposto
E enquanto eu conto e consto as minhas moedinhas
Eles na montanha de notas, pique Tio Patinhas

Não quero aplicar um sermão na sua montanha
Mas no cofre do Tio São, a casa é da moeda
Pq o cheiro das notas os rato se assanha
Câmara queimando o filme que desce a goela

Tanto sapo, estômago virou um pantanal
Tanto príncipe, casamento real em dólar
Tanta paixão, Igreja tenta acabar com o mal
Tão pouco Cristo, poucos querendo sacrificar

Eu me basto, nem gasto, o rastro da minha grana afasto
De onde veio? Recreio, leio como meu mundo é nefasto
E se no Brasil não houver mais um amanhã
Serei solitário, parceiro, solidário primeiro às ilhas Cayman


30 de maio de 2018

Gula

Provérbios 23:20-21 nos adverte: “Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem”.

Thanos, devorador de mundos
Conquistador narcisista
Navegante da noite sem velas
Olhos sem horizonte

Te esconde na mata, herói
Em teu mundo DC, desumano
Cada página virada, rasgada, dói
Nesse plano astral és profano

Corra! Ou arranco teu olho
Corra! Já comi tua mente
Corra! A ruínas te encolho
Corra! Do pó, descendente

Do lixo, te engulo, te vomito, te bebo
É massa, tua carne, tua alma, teu tempo
É só mais um número, arquivo morto: queime
Eu dono das fichas, fliperama: Blame!

Linha de construção,
Carros automáticos, escondi o manual
Te falta instrução
Pra sair do meu quintal


Provérbios 23:2 proclama: “mete uma faca à tua garganta, se és homem glutão”.