7 de dezembro de 2021

Intensa utopia

 Tô no parapeito, peito para, notou

Tô tão sem jeito num mundo perfeito

Eles sei que são

Eu sou erosão... não fui eleito

Roubei sua mão até meio sem jeito

Calor do encaixe em meio aos nós de nossos dedos

Sequestro dos meus medos

Estou como? Estocolmo

Um bandido e seu coração se entregaram, tão preso

Esqueça antigos escolhidos na Guerra

Deixo os Golias todos encolhidos, enterra

São ex, sem vez, desrespeitaram suas leis

Um dois três, vendidos! São liquidação

Minha etiqueta é cara, a grife grafa minhas marcas e meus tombos

Assim mesmo não caio

É meu preço é caro 

Meu capital é Cairo

Ganho meus honorário a cada facada

Seu olhar é puro amor em um punhal

Amor, volta agora e costura meu peito 






3 de dezembro de 2021

Egito

 Não sei se eu sou senhor do tempo

Mas por dentro corre a mesma tempestade

Daquela tarde de novembro

Me lembro

Aperto um, botão do tempo. Vejo as mina flores sendo

O polén no teu olhar e em minha boca mel descendo

Meu olhar indecente aos céus tu ascenda, descendente de Deusas

Excita a vida, no pós me delira, delírio.. 

Cosmo e a similaridade entre suas pernas... 

Nem Prometeu, já dei fuga ao fogo, tô acorrentado 

A águia é a vida, Ísis, fui esquartejado

Me junta, me janta, 

Só não cospe após fazer amor

Sou teu Osíris ou seja: Tu tá sentada em ouro

26 de novembro de 2021

Sacro (onde a anatomia encontra o sagrado)

 Lingam é Papa da língua 

A missa nesse templo não acaba nunca

Falso profeta, destruindo cabeças da hidra 

A tempestade não vê onde, só cai

Tá com medo, me nubla 

Tô com medo, me ajuda

Meu físico inveja o psicológico e viaja

Mediando o sexo entre os os dois olhos de Hórus

Refletido no espelho do tempo: Yin-Yang

Cabo de guerra entre Vênus e Marte

A corda estoura no lado mais fraco

Fibras feitas de desejo e ego não duram

Nos amarrar em tranças, não transas

Amor é fonte desaguando sem queimar resistências

É bote salva-vidas

...

Boiei

Vivi de líquido amniótico

Sentindo a sensação do prazer

Mas perdendo estações

Tentando ampliar

Repetindo palavras, toques, fantasias

Cozinhando hábitos que trouxessem companhias que eu não enxergava em meu orgânico

Pois é.

Cada um se entorpece de seus enganos preferidos



9 de setembro de 2021

Post mortem

 O meu interior segue Implodindo

No exterior sorrindo, indefinido como o artigo

Artilharia ideológica ao oprimido

Num tempo infinito a matéria se corrói

Não sou herói, tenho lixo na rua

Joguei praga na sua corja, me enoja ver o rumo que tomei

Mas num mundo sem Lei sou meu próprio Sensei, pensei

Sem aceitar tudo de cima. Abaixo à ditadura!

Deles: abaixo assinado, nas rua, outra postura

Postura errada só dá escoliose

Colunas estatais tortas por sustentar essa metamorfose

Em que transformou-se a leitura política, ó meu bem

Nada pior que se tornar vítima do cidadão de bem

Tal cidadão Kane, salvando o povo Mary Jane

Presos às teias de aranhas, redes de dinheiro e barganha

Olha teu sonho aí: sociedade só apanha

Poder assanha a mente tacanha, e arranha a constituição

Poluição informacional é isso aí

Quando gritavam: buu comunismo, logo vi

Relaxa aí, parça, se encaixe ao bingo

Cujo sorteio segue vivo em certos domingos

E o sete de Setembro foi lindo, instrutivo, impeditivo e artístico: pleno circo e fogo

Palhaço já não anima, largou a flor, trouxe chacina pro jogo

A redação contra a vacina, o alfabeto desanima

Não adianta, livro bom ao contrário é só mangá 

Orvil, pavio da guerra cultural, militar

Grito de lá só vem enquanto às instituições convém

Mostro os corpos: contem 

Lavemos copos pra ontem

Uma escolha muito difícil? Sei

Agora quer estourar seu próprio ovo chocado

De ópio pago por agro, a chaga tá no teu nome

E me consome a tua ideia que ainda paira: o Lula é problema também

Teu papo tem uma década, parceiro...

1 de setembro de 2021

7 de setembro

 A árvore que penetra a terra

Flecha atravessada em vida por eras

Irrefletido amor

Feito de sal, mercúrio e enxofre:

Alquimia 

Rosas eram vermelhas, violetas eram azuis

Demônios antigos tudo tingem em preto e banco

Codificam tudo em barras...

Viremos costas à dualidade

Fazendo frente à hipocrisia

Com um grito que ecoe no silêncio da meia noite

No travesseiro

Asfixiando eternamente de ar e sonhos 

Os que nos diminuem 

A empecilhos gráficos

De sua insinuação cega

Feita de mentiras deliberadas

Eternizadas em realidades aumentadas

Vede o amarelo sorriso 

Daqueles que bradam por justiça: verde

Desses sem cor, sem sotaque, sem honra, opacos

...

Gol

29 de junho de 2021

Coleção preguiçosa de trechos antigos ilustrando os caminhos do amor

Quero abraçar

Mas sou um cacto

Solidão media o pacto

Preso à pele, pó compacto

Será que acabei me apaixonando pelo amor?


Corpo sinuoso, insinuante

Fala sinuosa, insinuante

Deixa a maciez de seus lábios ser meu alimento

Antes que tudo tenha gosto de máquina...




A paixão está nos matando

Coração batendo no peito

Orangotango, gritando

Encontre o leão nessa selva de linhas



Sua mão parece que não tem final

Acena o sol no começo da rua

Meu corpo contigo é carnaval

Contido num riso sincero

Me perco só de mordiscar

A ponta do meu lábio em meio

Ao seu a cantar, ao contar

Encanta e me tira os sentidos

Embora tão forte o que sinto

Inseguro à segurança de teus lábios a valsar

E sua silhueta a tingir o solo de sombras que

Não mais cabiam nos mistérios de seus olhos

Feliz ao notar que ao bruxulear das luzes

Sua sombra me beija apaixonada

Recepção ao mito da caverna



Nossa caixa postal é um quarto de motel

Sou seu sexo 0800, deixe seu recado

Vamos quebrar juntos

Selos e sigilos

O que é o Belo se não o mais Terrível? - Rainier

Ácidos, assíduos e repugnantes 

A seiva de teu seio me alimenta

São tão doces teus frutos

Várias línguas, é torre de babel

A luz não pisca, nossos orgasmos as ofuscam



Não confunda com vínculo os vincos que tu faz na minha roupa

Minha lua é uma laranja mordida

Ainda em casca

Você e seu humor cítrico

Sua ausência cáustica 

Amarga minhas noites

Sintetizei amor sem pensar em antíteses






Amor não dói, é companhia à sombra

Não sobra dúvida que nada era real: fui assombrado

Engraçado eu ser pego num joguinho de luzes

Que vem e vão, piscam

Explosão de serotonina, sinto o gosto

Propaganda corporal enganosa, fúnebre processo mesquinho

Sei como age, naja, inoculo o que tu exala

Dei aula na sua sala, só sua falcatrua nua lhe vendava

És vendaval, festival, tudo deixa bagunça

Eu junto meus cacos e a maldita jagunça

Vem exterminar. Com o ex terminar. 

Um dois três pra eu pensar, fantasiar nois num bar

Viajar, embriagar, filhos, sabe? Uma vida criar

Oculta vilania inocente, o lado puro no fundo da sua mente doente

Que embora presente, não tente ou intente ou entenda que:

Eu odeio você!

Uma parte sua mora aqui

Nela faço ferver desde que

Passei pelo inferno, voltei vermelho

Não sei se sou Hellboy ou homem sem medo

Advoguei pro diabo

Cobrei treze almas

A sua faz parte da caça 



Tão perigoso quanto um tango em Paris rodeado por câmeras

Indecência em cada faísca da centelha

Em órbita a excência, perfume de rosas me ensinam 

Em ver quão nocivo foi respirar a essência de teus rolos

Tóxicos como papiros das tumbas

Me limpo


Isto era eu,

um pardal.

Fiz o melhor que pude;

adeus.

- William Carlos William

17 de junho de 2021

Tecnicamente insone

Certo, tentemos não ser honestos:
Tenho um demônio manifesto
Mefisto, o nefasto
De quem me visto e me faço
Infesta do que digo ao que traço
Incenceia meus passos por campos vastos enquanto piso com pés descalços
Um show pirotécnico. Sem ingresso?
Faça parte da fogueira!
A minha pira é tu na pira
Te apagar só na paulada 
Ops, esqueci de acender o fogo, meu povo. Vambora de novo?
A chave vira e tudo fica preto
O motor vibra, combustível preenche as veias
Bile na bic do vil patife
Pois é, tenho nada além disso pra ti, fi
Te vi e nem notei, eu já disse
Tu é figurante e eu herói dark de história da DC
Tu homem formiga: pisei e nem... vi
Não sei se neste momento estou acordado ou dormindo
A última lembrança é de vc ter começado a falar e tudo sumindo
Divorciei dos significados, sempre tô puto
Puta! Tu nunca vai me ver num estado civil
A mente tá sempre no cio. Crio!
Creu. Velocidade 5, sem dança 
Ganho corrida desde esperma
Não tô pra perder pra criança
São, sou plena confiança
Pra sua, não dá. Pago fiança neuronal se tu formar
Uma frase que tu consiga juntar o cre com o cra
"Crecra"? Quem no período cretáceo te ensinou a pensar?
Meus professores são inomináveis!
Seus antecessores, incomparáveis!
Eu, o viajante do futuro
Os orientei, eram todos tão amáveis!
Entende agora como agem
Se bem lubrificadas as engrenagens?
Então não culpe os mecânicos
Em um racha comigo tu racha e eu só me racho 
Entre o de cima e o de baixo
A questão não é saber quem atinge
Estive nos dois, em qualquer encaixo 
Então sossega o facho, se não é clinch
Te dou quinze de vantagem pra tu começar. 
Pronto? "Lá vou eu", grito lá pro fundo
1, 2, 3 palavras escritas nas linhas?
Com uma ou duas linhas, grito: salvo o mundo

Esquece rimas. Quem precisa de rimas? Rimas rimam com o que? Com Rimas?
Prefiro as imagens como ecos degladiando tua mente como a vingança dos clones. 
Todo dia martelando tua memória num eterno Djavu
Grudando igual chiclete na tua mente, como quando rimam Djavu e Djavan
E deverão se manter presas, como os filhos de Jair