13 de março de 2026

Estamos onde precisamos estar

 Sou prensa de emoções 

Competição imprensa linguiça 

Vendo meu coração embutido

Artifícios, decoração cínica 

Sou ambíguo em oração

Sou fraco e forte ao mesmo tempo

As vezes sou água turva

Me filtro, retroalimento 

Compassivo

Até o dia em que quebrei o espelho

Não mais me vejo

Kage bunshin, salvo o planeta inteiro

Ser um Hokage sem auto amor é desrespeito

Seus "não" é uma Genki Dama imprensada no meu peito

Reformei quebrei meus parapeito (amor, um beijo: adeus)

Saiba que Eros e Thanatos sempre empacotam meus conceitos 

Cansado da obrigação de ser protagonista 

As vezes erro meu papel

Me desculpem as exigências do elenco

A direção é uma só: ir o mínimo possível contra o que há dentro

Perdoem se é egoísmo 

Se a mídia vende e só quer sorriso

Se a grana na tela só chega pra quem tem sorrido

Hoje morre então mais um liso

Sem nada a esconder 


24 de maio de 2024

Rena

 Tampei com terra esse buraco 

Da areia movediça onde é o fundo?

Caí bem no formato do espelho, paisagens

Tem suas miragens. Meu Sansara:

Imagens transpostas em vultos 

Ver os monstros na luz não dá medo

Cenografia e iluminação vinham da minha lente, da alma

E se eu não enxergo as sombras, farpas piso por calos

Batem forte até que furam, chagas limpas à pulso

Facas cegas de uso

Sangria emocional

Nunca vi tanto vermelho a frente 

Desce grosso, algo emperrou minhas comportas

Meus olhos no ponto morto

Não regam mais ramos de Vidas Secas

15 de setembro de 2022

Cartas sem destinatário

Traz a grua
Me liga ela de cinta
E charme
Só trago a lua
Sou Méliès,
Aspiro vintage
Tudo a meia luz... (É. Ela é toda a luz)
Primeiro take é perfeito
A sétima, arte
Ela é um thriller conceito
Uma comédia de tarde
Minha maratona perfeita
Felicidade na minha colheita
Maldita seja! Beijos som cereja!?!?
E
Rosas são vermelhas
E
Pobre de quem descreva
E
Métrica mudou, iih...
Lúdico, fungido a um pudico fingido
Vermelhos sem maquiagem
Caiena, olhos àditos
Tons oblíquos
Dom profícuo
Síndica arquiteta do triplex na minha libido (motivo)
Caí na dessa morena
Baile no meu sistema
Sem frame, soul quente
Tô na direção da exigente regente
De repente, repente, samba, jazz
Delinquente eloquente
Rasta as vista pique bordão "asta la vista"
Baby? Quem me afastar de ti queime
Cocaine, forte o que se abstém
Sou hamster no labirinto de dopamina
Formado no atrás de cima da minha retina
Deslizo a colina da tua coluna
Colombo
Eu me esquecer é só pra descobrir toda de novo

13 de setembro de 2022

Zoológico

 

Sua carga é pesada
Não sou tua mula, e
Conheço as onça, e
Cansei dessas lágrimas de cor colírio
E se tu tá cego, olha da minha lente
Tá tu me rodeando, serpente
Em serviço, servente, sirvo
Me manda deixar a mesa
Sob ela, chicletes, nos prendem nela
Sobe nela, e
Sua carga é pesada
Artilharia é bravata
Depois se esconde
Se enterra, tipo racoon na mata, tá?
Até ninguém mais lembrar de ti...
Sua carga é pesada
Não sou tua mula, e
Conheço as onça, e
Cansei dessas lágrimas de cor colírio
Bird mãe, dá tudo da boca pro filho
O retorno é vômito ou regurgito?
Qual é o preço de um estranho no ninho?
Não te quer em natura então pisa
Tu só serve suave, igual vinho
E lágrimas na taça
Que ergue, glória máxima
Que vida gore, elástica
O que importa são as aparências
Urubus sempre parecem estar de smoking

17 de maio de 2022

Qual é seu vício?

 Sou uma valente bolha de sabão com escudo de papel bolha

Uma parte de mim quer soltar a loucura
Me manter alerta é minha última barreira
Represo gritos
Desejo de ensurdecer o mundo
Sinto que meu âmago agora voltou pra semente
Um ponto em meio ao peito
Que no balançar da jangada, tento não tombar
Mesmo que alguém conseguisse plantar
E não esquecesse de regar minhas folhas de pranto
O meu resto, erva daninha
Povoaria os pastos de...
.
.
.
Partes não nobres
Gordura da alma
Projeto minha maldade, reflexo da nata
Refletindo tudo o que passei
Longos meses em silêncio
Abandono projeções, me solto
Pulo do céu vazio em que estava
Corto o cordão umbilical dessa tirolesa emocional
Entender que são cócegas
Que não afetam minhas leis
Sou meu próprio juiz
Me lembro de cor de cada erro
Forço pra lembrar acertos
Não empatizo com meus próprios problemas
Guardo espaço, e no vácuo me perco ao redor da atmosfera do sofrimento alheio
Caixa torácica é Pandora, não tenho esperanças de achar algo bom no interior
Caixa craniana é Marte, tô em guerra aqui dentro
.
.
.

Esse texto foi o momento de ruptura. 
A primeira parte foi de um eu corrompido ainda tentando se esquecer.
Ontem a crise quase o matou.
Foi a tempestade me fazendo perder meus dias. Tempestade de onde surgiria um arco íris se eu não tivesse tornado tudo noite.
Hoje, sem visão, perspectiva, não sei onde encontrar o pote de ouro.
Preciso reencontrar a beleza. Preciso reencontrar o amor. Preciso chorar muito, muito, por tudo o que me machucou e eu nem mesmo dei atenção
Piso pela segunda vez em meu próprio rio, e embora águas passadas não movam moinhos
Não reconhecer a fonte de tudo seria me afogar no seco eternamente...


3 de janeiro de 2022

Família

 Tenho medo de meu próprio sangue. Abastecidos pelo mesmo combustível, motores diferentes. O meu quebra, mesmo que a saudade aperta, tudo falha quando aproximo de vocês. É um túnel do tempo onde eu retorno, talvez me descubro de verdade e... talvez disso eu não goste

Não sei pq fujo mesmo parado. Solitude já foi solidão, e o coro do coração era: só volta

Eu tentei, mas fui vidro sensível. O teu timbre detona cristais e a sensação em meu cristalino é de choro virgem.

Dezenas de pessoas importantes dizendo que sou importante, que o que eu faço é mágica, uma herança criativa trágica: nunca deixe numa estante. Trajado, rajando outras vidas, histórias... fui meu Frankstein, todos batiam palma! Porém isso não me completa, do aplauso almejado eu fugia mais que o diabo daquelas duas retas.

Mas a culpa é minha: não sei quem sou, quem fui, nem ao mesmo sei quem quero ser. Talvez ser um fantasma é o que me dá prazer. Um fantasma criando seus próprios assombros.

Pergunto o que vou fazer pois um dia também quero um bebê a bordo

E essa minha nave não para em solo... Não quero o baby em órbita por constelações não familiares. Se for pra ser assim, melhor explodir meu núcleo. Mas se for assim, perco a jornada e suas estrelas

Meu pai dizia: ninguém é uma ilha

Também dizia: não desonre a nenhuma filha. Minha honra foi ouvir e refletir o que ele dizia, mas... faltou com o que ele fazia... 

Entabulei conteúdo em minha tabula rasa depois que você já não era mais minha casa. Eu não lhe entendia... se consideravam isso ser inteligente, eu não queria! Abaixo à sabedoria!

Se até hoje demoro pra entender meus pais, destino guarda quanto tempo mais? Será que sobra tempo pra alguém me entender?

29 de dezembro de 2021

Almar

Teu dom tipo perrignon

Meu dom tipo perigando

Vison falso ostentando

Visando causar frisson


Viveu pelos peixes, só, morreu na praia

Quanto vale o peso que tu acumulava

Te cotaram homúnculo

Esse foi o cúmulo 

Quem te maculava

Vai pilhar teu túmulo

Quanto mais têm nada, asa mais pesada

Mano, não se apega, regra é: tu te basta

Ego são os prego pra te deixar pêgo

Vai ficar tão lindo numa tela em casa

Se martelar martírios, delírios, deliram

Galhos de mirtilos nascendo sorrindo

Se falta pra tu, bato, planto, produzo

Se sobrar pra mim, papos, cantos, servindo

Sorvendo sabores, papilas nos olhos

Me encho de cores. Meu vazio é ouro

Despeço e vou indo, volto ao meu garimpo

Descobri em mim o meu maior tesouro

7 de dezembro de 2021

Intensa utopia

 Tô no parapeito, peito para, notou

Tô tão sem jeito num mundo perfeito

Eles sei que são

Eu sou erosão... não fui eleito

Roubei sua mão até meio sem jeito

Calor do encaixe em meio aos nós de nossos dedos

Sequestro dos meus medos

Estou como? Estocolmo

Um bandido e seu coração se entregaram, tão preso

Esqueça antigos escolhidos na Guerra

Deixo os Golias todos encolhidos, enterra

São ex, sem vez, desrespeitaram suas leis

Um dois três, vendidos! São liquidação

Minha etiqueta é cara, a grife grafa minhas marcas e meus tombos

Assim mesmo não caio

É meu preço é caro 

Meu capital é Cairo

Ganho meus honorário a cada facada

Seu olhar é puro amor em um punhal

Amor, volta agora e costura meu peito 






3 de dezembro de 2021

Egito

 Não sei se eu sou senhor do tempo

Mas por dentro corre a mesma tempestade

Daquela tarde de novembro

Me lembro

Aperto um, botão do tempo. Vejo as mina flores sendo

O polén no teu olhar e em minha boca mel descendo

Meu olhar indecente aos céus tu ascenda, descendente de Deusas

Excita a vida, no pós me delira, delírio.. 

Cosmo e a similaridade entre suas pernas... 

Nem Prometeu, já dei fuga ao fogo, tô acorrentado 

A águia é a vida, Ísis, fui esquartejado

Me junta, me janta, 

Só não cospe após fazer amor

Sou teu Osíris ou seja: Tu tá sentada em ouro

26 de novembro de 2021

Sacro (onde a anatomia encontra o sagrado)

 Lingam é Papa da língua 

A missa nesse templo não acaba nunca

Falso profeta, destruindo cabeças da hidra 

A tempestade não vê onde, só cai

Tá com medo, me nubla 

Tô com medo, me ajuda

Meu físico inveja o psicológico e viaja

Mediando o sexo entre os os dois olhos de Hórus

Refletido no espelho do tempo: Yin-Yang

Cabo de guerra entre Vênus e Marte

A corda estoura no lado mais fraco

Fibras feitas de desejo e ego não duram

Nos amarrar em tranças, não transas

Amor é fonte desaguando sem queimar resistências

É bote salva-vidas

...

Boiei

Vivi de líquido amniótico

Sentindo a sensação do prazer

Mas perdendo estações

Tentando ampliar

Repetindo palavras, toques, fantasias

Cozinhando hábitos que trouxessem companhias que eu não enxergava em meu orgânico

Pois é.

Cada um se entorpece de seus enganos preferidos



9 de setembro de 2021

Post mortem

 O meu interior segue Implodindo

No exterior sorrindo, indefinido como o artigo

Artilharia ideológica ao oprimido

Num tempo infinito a matéria se corrói

Não sou herói, tenho lixo na rua

Joguei praga na sua corja, me enoja ver o rumo que tomei

Mas num mundo sem Lei sou meu próprio Sensei, pensei

Sem aceitar tudo de cima. Abaixo à ditadura!

Deles: abaixo assinado, nas rua, outra postura

Postura errada só dá escoliose

Colunas estatais tortas por sustentar essa metamorfose

Em que transformou-se a leitura política, ó meu bem

Nada pior que se tornar vítima do cidadão de bem

Tal cidadão Kane, salvando o povo Mary Jane

Presos às teias de aranhas, redes de dinheiro e barganha

Olha teu sonho aí: sociedade só apanha

Poder assanha a mente tacanha, e arranha a constituição

Poluição informacional é isso aí

Quando gritavam: buu comunismo, logo vi

Relaxa aí, parça, se encaixe ao bingo

Cujo sorteio segue vivo em certos domingos

E o sete de Setembro foi lindo, instrutivo, impeditivo e artístico: pleno circo e fogo

Palhaço já não anima, largou a flor, trouxe chacina pro jogo

A redação contra a vacina, o alfabeto desanima

Não adianta, livro bom ao contrário é só mangá 

Orvil, pavio da guerra cultural, militar

Grito de lá só vem enquanto às instituições convém

Mostro os corpos: contem 

Lavemos copos pra ontem

Uma escolha muito difícil? Sei

Agora quer estourar seu próprio ovo chocado

De ópio pago por agro, a chaga tá no teu nome

E me consome a tua ideia que ainda paira: o Lula é problema também

Teu papo tem uma década, parceiro...

1 de setembro de 2021

7 de setembro

 A árvore que penetra a terra

Flecha atravessada em vida por eras

Irrefletido amor

Feito de sal, mercúrio e enxofre:

Alquimia 

Rosas eram vermelhas, violetas eram azuis

Demônios antigos tudo tingem em preto e banco

Codificam tudo em barras...

Viremos costas à dualidade

Fazendo frente à hipocrisia

Com um grito que ecoe no silêncio da meia noite

No travesseiro

Asfixiando eternamente de ar e sonhos 

Os que nos diminuem 

A empecilhos gráficos

De sua insinuação cega

Feita de mentiras deliberadas

Eternizadas em realidades aumentadas

Vede o amarelo sorriso 

Daqueles que bradam por justiça: verde

Desses sem cor, sem sotaque, sem honra, opacos

...

Gol

29 de junho de 2021

Coleção preguiçosa de trechos antigos ilustrando os caminhos do amor

Quero abraçar

Mas sou um cacto

Solidão media o pacto

Preso à pele, pó compacto

Será que acabei me apaixonando pelo amor?


Corpo sinuoso, insinuante

Fala sinuosa, insinuante

Deixa a maciez de seus lábios ser meu alimento

Antes que tudo tenha gosto de máquina...




A paixão está nos matando

Coração batendo no peito

Orangotango, gritando

Encontre o leão nessa selva de linhas



Sua mão parece que não tem final

Acena o sol no começo da rua

Meu corpo contigo é carnaval

Contido num riso sincero

Me perco só de mordiscar

A ponta do meu lábio em meio

Ao seu a cantar, ao contar

Encanta e me tira os sentidos

Embora tão forte o que sinto

Inseguro à segurança de teus lábios a valsar

E sua silhueta a tingir o solo de sombras que

Não mais cabiam nos mistérios de seus olhos

Feliz ao notar que ao bruxulear das luzes

Sua sombra me beija apaixonada

Recepção ao mito da caverna



Nossa caixa postal é um quarto de motel

Sou seu sexo 0800, deixe seu recado

Vamos quebrar juntos

Selos e sigilos

O que é o Belo se não o mais Terrível? - Rainier

Ácidos, assíduos e repugnantes 

A seiva de teu seio me alimenta

São tão doces teus frutos

Várias línguas, é torre de babel

A luz não pisca, nossos orgasmos as ofuscam



Não confunda com vínculo os vincos que tu faz na minha roupa

Minha lua é uma laranja mordida

Ainda em casca

Você e seu humor cítrico

Sua ausência cáustica 

Amarga minhas noites

Sintetizei amor sem pensar em antíteses






Amor não dói, é companhia à sombra

Não sobra dúvida que nada era real: fui assombrado

Engraçado eu ser pego num joguinho de luzes

Que vem e vão, piscam

Explosão de serotonina, sinto o gosto

Propaganda corporal enganosa, fúnebre processo mesquinho

Sei como age, naja, inoculo o que tu exala

Dei aula na sua sala, só sua falcatrua nua lhe vendava

És vendaval, festival, tudo deixa bagunça

Eu junto meus cacos e a maldita jagunça

Vem exterminar. Com o ex terminar. 

Um dois três pra eu pensar, fantasiar nois num bar

Viajar, embriagar, filhos, sabe? Uma vida criar

Oculta vilania inocente, o lado puro no fundo da sua mente doente

Que embora presente, não tente ou intente ou entenda que:

Eu odeio você!

Uma parte sua mora aqui

Nela faço ferver desde que

Passei pelo inferno, voltei vermelho

Não sei se sou Hellboy ou homem sem medo

Advoguei pro diabo

Cobrei treze almas

A sua faz parte da caça 



Tão perigoso quanto um tango em Paris rodeado por câmeras

Indecência em cada faísca da centelha

Em órbita a excência, perfume de rosas me ensinam 

Em ver quão nocivo foi respirar a essência de teus rolos

Tóxicos como papiros das tumbas

Me limpo


Isto era eu,

um pardal.

Fiz o melhor que pude;

adeus.

- William Carlos William

17 de junho de 2021

Tecnicamente insone

Certo, tentemos não ser honestos:
Tenho um demônio manifesto
Mefisto, o nefasto
De quem me visto e me faço
Infesta do que digo ao que traço
Incenceia meus passos por campos vastos enquanto piso com pés descalços
Um show pirotécnico. Sem ingresso?
Faça parte da fogueira!
A minha pira é tu na pira
Te apagar só na paulada 
Ops, esqueci de acender o fogo, meu povo. Vambora de novo?
A chave vira e tudo fica preto
O motor vibra, combustível preenche as veias
Bile na bic do vil patife
Pois é, tenho nada além disso pra ti, fi
Te vi e nem notei, eu já disse
Tu é figurante e eu herói dark de história da DC
Tu homem formiga: pisei e nem... vi
Não sei se neste momento estou acordado ou dormindo
A última lembrança é de vc ter começado a falar e tudo sumindo
Divorciei dos significados, sempre tô puto
Puta! Tu nunca vai me ver num estado civil
A mente tá sempre no cio. Crio!
Creu. Velocidade 5, sem dança 
Ganho corrida desde esperma
Não tô pra perder pra criança
São, sou plena confiança
Pra sua, não dá. Pago fiança neuronal se tu formar
Uma frase que tu consiga juntar o cre com o cra
"Crecra"? Quem no período cretáceo te ensinou a pensar?
Meus professores são inomináveis!
Seus antecessores, incomparáveis!
Eu, o viajante do futuro
Os orientei, eram todos tão amáveis!
Entende agora como agem
Se bem lubrificadas as engrenagens?
Então não culpe os mecânicos
Em um racha comigo tu racha e eu só me racho 
Entre o de cima e o de baixo
A questão não é saber quem atinge
Estive nos dois, em qualquer encaixo 
Então sossega o facho, se não é clinch
Te dou quinze de vantagem pra tu começar. 
Pronto? "Lá vou eu", grito lá pro fundo
1, 2, 3 palavras escritas nas linhas?
Com uma ou duas linhas, grito: salvo o mundo

Esquece rimas. Quem precisa de rimas? Rimas rimam com o que? Com Rimas?
Prefiro as imagens como ecos degladiando tua mente como a vingança dos clones. 
Todo dia martelando tua memória num eterno Djavu
Grudando igual chiclete na tua mente, como quando rimam Djavu e Djavan
E deverão se manter presas, como os filhos de Jair

8 de junho de 2021

Substantivo vs adjetivo

 A vida me ensinou a correr e me deu a pista

A bateria de 100 metros rasos

Foi trilhar sentimentos de narcisistas


Bom de arte? Não. Bom de marketing

Rosto padrão pra todo casting

Sem função ou sal no acting

Sua cena causa react 

Por conta dos deslikes

Abro a boca, atraio mics

Fecho a boca, gero fissura por pipes

Juro, é quase pornográfico!

Mas pq não gero tráfego?

Ligeiro no tráfico: informação

Odeio o hype, e sempre odiei

Mas gerei comentários por locais dos quais passei

Tu se diz um artista. Te aponto, digo: hey

O rei está nu! Máscaras derrubei

Me debulhei. Você ainda é Barbie na caixa de Ken?

Dica hein: a ferradura não dá sorte

É outro o casco que move o palco além

Cavalgo 300 cavalos de perspicácia 

Sobre tapetes persas

Abra os olhos pro céu e me veja: sou Pégaso

Tu não entendeu o preambulo?

Volte pro teu estábulo

Você se vende por inteiro

Seus talentos? Só apartes

Tenho vários lados

Você só tinha um

Me recolhi em mim mesmo e pergunto:

Te sobrou algum?

Quando perguntam onde está seu antigo gênio

Como você explica

Que se queimou com a lâmpada

Foi pra cadeira do eletricista

Te trombei no mercado, atrás da sua camisa tava escrito: artista

E o "posso te ajudar?" na cara de pena de todos a vista


3 de junho de 2021

Artista - Propor/eco

"Artista, se vc pudesse ser um artista, qual artista vc seria?"

"Não me escreva até que tenha algo da alma"

"Cansei de suas cartas cheias de palavras para me dar um oi"

"Cansei dessa sua mudança de letra. Gostava quando vc era A, não agora que vc finge-se (sic) B ou até mesmo uuurgh (sick) C."

"Eu gostava quando vc era espelho, me incomodei quando vc passou também a refletir"

"Eu gostava de cansar de olhar bundas nas ruas"

"Cansavas de repetir. Diz: gosto. Digo: meu"

"Eu não entendo o que vc amava ao sentir desse jeito, ao expressar, ao falar, ao..."


PROPOR


Você pensa propor uma reflexão a vidros inflexíveis 

Vivemos a transparência! Somos parte do aparelho, paralizados e cínicos, em uma arcada dentária que eternamente sorri

Mas não possui voz. Nada produz. Nada produz.

Finge estar a sorrir evocando bruxarias para dormirmos enquanto nos deterioram: bruxismo social


ECO

"Artista, se vc pudesse ser um artista, qual artista vc seria?"

"A arte deve ser algo maior." Então aumentei todas as fontes, e ele me olhou e disse: é isso. Pois ele mesmo não compreendia o que era uma arte maior nem de onde ela vêm

"A arte deve ser um ataque ao status quo." E então mandei um torpedo, que cruzou as redes e acertou em cheio o inimigo. Ele não compreendeu as mudanças entre 0 e 1.

"A arte tem de vir da alma." Aguardamos por algum tipo de manifestação metafísica e, ao findar de 113 anos de aguardo, quando conseguimos sentir a verdadeira fome, ele mesmo pegou o caderno e escreveu:

"Vamos comer?"

E então, eu o sagrei um artista

26 de abril de 2021

Concerto

Uma criança adivinharia o que havia em cima do piano:

Vingança

Servida para dois

De hábitos diferentes

Trocamos os papéis de vítima


X

Desce leve

E vem de encontro

Como um mapa do tesouro e seu X

O que encontrar abaixo do arco-íris

Sendo cego de paladar?

O êxtase do vidro de encontro à boca

Carne de encontro à areia

E ver tudo tornar ao pó

De tanta excitação não sei se parto vidro ou dente

Sapatos, camisa polo, perfume

Adornando sua dança da morte

Ao banheiro? Estou embriagado demais para te levar

Te vejo, polo aquático

Por tudo que está em jogo

Você nada em seu próprio vômito

Seus olhos vomitam junto

Duas rolhas prestes a saltar 

Colheita de uma safra que aguardei por anos

Não se preocupe, me acostumei ao amargo

Ao repulsivo

Ao segredo que há entre

Seus olhos e um copo transparente

Fui teu anjo da morte

Selo com um beijo teus espumantes lábios

Teus agonizantes gemidos são dueto à minha última composição

Cruzas o inferno aplaudido por teu pianista, assassino e maestro






5 de abril de 2021

Rosa

 Quando você vive mais eu que sua vida

Só patrões querem zumbi

Eu quero abraçar e gritar que somos o mesmo

Olhe o mundo e depois me conte

Assim como olho e conto de você

Quando não revela o que aconteceu entre Capitu e Bentinho, com uma só pena se escreveu milhões de livros

E se o que importa é o que fica

O que eu deixo é amor

Pois quando enfrento sou uma horda 

Formada por meus eus, pais, amigos, rivais

Cansei de aceitar minhas próprias emboscadas

Quero partir como uma rosa 

Não para sangrar, mas lembrar os espinhos que envolvem a beleza e sua fragilidade

O ego tem o mesmo material e a utilidade que um prato

E é preciso jejuar para perceber nossa verdadeira fome

3 de abril de 2021

Ansiedade

 Sinto medo da escuridão

Vou me confundir com o mundo
Abrir minhas vísceras
Em campos banhados em sangue
Irmãos dando adeus numa guerra
Estarei eu e eu só
Olho em frente e não amo, é inimigo
Como dar as mãos a algo como as sombras?
Como encarar o amanhã
Tendo passado a noite pelo Vale da morte?
Fede a futuro
Num presente assético
Quem sou eu quando fecho os olhos?
Quem serei ao abrir?
Mergulho, com medo de me afogar,
Grito
Invado
Preencho
Transbordo
Líquido e arrasto a alma de multidões
E observo do olho do furacão
Eles perguntando se venta lá fora

28 de março de 2021

Trip-e girls and boys lalala-lala

É o labirinto quem segue o fauno,





- E como eu começo isso?

- Miguel, eu sou só um texto

- Construido com minhas visões, minhas palavras

- E há algum problema nisso?

- Você é a materialização dos meus pensamentos

- Não. Eu já existo há muito tempo. Eu retorno por ciclos de gritos e desespero. Desde que haja a dor, eu estive e estarei aqui

- Qual é seu nome?

- Morte



Cruzam-se olhares, trocam-se caricias, despertam-se

O toque de sua bunda é embaçado por meu excesso de "se"

O frio nesse tabuleiro cobre minha torre

A cabeça do rei está em jogo

Me perco em meio às estrelas

Engatilho o tambor e assino uma Tríplice Aliança


- Então... eu também estou morto?

- Qual seria o sentido de vc estar conversando com a morte se já estivesse morto?

- Ah sim. Pq a vida é lógica pra caral... espera aí, eu lembro que já te encontrei!!

- Já nos encontramos algumas vezes. Sua pulsão de morte é, no mínimo, interessante. Te faz vivo... Irônico..

- Me lembro. Você morre ao final desse texto, certo?

- Não. Isso é só você quem pode decidir. 

- Eu só quero o fim de tudo. 

- Mas não é tentador flertar com o mundo?


PNL e DP, ok? Fala a mente na foda

Se fica em fogo voa longe essa fada

É safa da melhor safra, quero provar desse doce

3 de três na formação, o nosso time mete bala

Palestra, baliza, shows a parte, bem, agora é tarde, hein

Fé nos grego, honre o grelo, olha o dedo, põe no pêlo 

Esse calafrio todo aí é do gelo? 

Bota mais no copo, corpo mexe, ele me beija

A língua enseja, paladar cavalga, perfume trafega. Gata? Foca essa câmera logo e geme!


- O que você tinha dito mesmo? Me distraí.

- É como vc faz. Vc deixa passar. Escuta, vou fazer diferente dessa vez. Vou deixar vc me fazer uma pergunta. Sobre qualquer coisa.

- Você conhece Deus

- Claro que conheço! Eu matei ele.

- Então ele sabe... 





Sem o labirinto, tudo seria chacina




Incêndio